Por que apostar em bets é ruim: uma análise científica e social

As apostas esportivas e cassinos online, popularmente conhecidos como bets, explodiram em popularidade nos últimos anos. No Brasil, com a recente legalização e regulamentação, elas passaram a ocupar cada vez mais espaço em comerciais de TV, camisas de clubes de futebol e campanhas publicitárias com influenciadores digitais.

A mensagem que chega ao público é clara: apostar é moderno, divertido e pode ser um caminho rápido para ganhar dinheiro. Mas será que é realmente assim?

Quando analisamos os dados científicos, psicológicos e sociais, a realidade é preocupante. Apostar em bets não é apenas um risco financeiro — é também um problema de saúde pública, que já tem impactos sérios em diversos países e começa a se agravar no Brasil.

1. A casa sempre ganha

O primeiro ponto para entender as apostas é perceber que elas não foram criadas para enriquecer apostadores, mas para gerar lucro às empresas.

As casas de apostas trabalham com probabilidades matemáticas (odds). Cada odd é calculada não apenas com base nas chances reais de um evento acontecer, mas também com uma margem embutida (chamada overround ou vig). Essa margem garante que, independentemente do resultado, a casa sempre terá lucro no longo prazo.

2. O cérebro humano contra o jogador

As apostas não mexem só com o bolso, mas com o sistema de recompensa do cérebro. Pesquisas de neurociência mostram que as apostas ativam as mesmas áreas cerebrais relacionadas a vícios químicos, como drogas e álcool.

2.1 Dopamina e vício comportamental

A cada aposta, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer. A sensação de vitória — ou até de uma “quase vitória” — reforça o comportamento, fazendo a pessoa querer jogar de novo.

2.2 A ilusão da quase vitória

Pesquisas publicadas na Nature Neuroscience demonstraram que o cérebro interpreta uma derrota próxima quase como uma vitória, reforçando ainda mais a vontade de continuar apostando.

3. O ciclo da perda: chasing losses

Um dos maiores riscos é o fenômeno conhecido como perseguir perdas (chasing losses). O jogador aumenta o valor das apostas tentando recuperar o que perdeu, mas acaba afundando em prejuízos ainda maiores.

4. Impactos financeiros

As consequências financeiras são as mais visíveis: endividamento rápido, uso de cartão de crédito, empréstimos e até venda de bens pessoais. Estudos internacionais mostram que apostadores compulsivos acumulam dívidas muito superiores à média da população.

5. Consequências psicológicas

O prejuízo não é apenas financeiro. A saúde mental sofre intensamente: ansiedade, estresse, depressão, insônia e até risco aumentado de suicídio. Apostadores problemáticos têm até 15 vezes mais chance de tentar suicídio em comparação com a população geral.

6. O impacto social e familiar

O vício em bets não atinge apenas o jogador. Famílias enfrentam brigas constantes, instabilidade financeira e perda de confiança. Muitos relacionamentos acabam em separação.

7. Os bônus e os “gurus”

Bônus de boas-vindas e promoções escondem regras complicadas que favorecem sempre a casa. Já os supostos “gurus das apostas” vendem sinais e métodos milagrosos, mas nenhum sistema é capaz de superar a matemática das casas.

8. Não é investimento, é entretenimento caro

Apostar não é investimento. Investimentos reais têm expectativa positiva de retorno no longo prazo. As apostas têm expectativa negativa — ou seja, a perda é estatisticamente garantida.

9. O status de saúde pública

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece o jogo patológico como um transtorno mental (CID-11: Gambling Disorder). Em diversos países, as apostas são tratadas como questão de saúde pública, com campanhas de prevenção e linhas de apoio.

10. Como se proteger

  • Entenda que as apostas são projetadas para você perder.
  • Não se deixe enganar por propagandas e bônus.
  • Se sentir perda de controle, busque ajuda: CVV (188) e psicoterapia especializada.

Conclusão

Apostar em bets não é um caminho para enriquecer. É uma atividade que prejudica financeiramente, afeta o cérebro como uma droga, destrói relacionamentos e já é considerada uma questão de saúde pública.

No fim das contas, quem sempre ganha é a casa.

Em crise, ligue 188 (CVV). Procure o serviço de saúde mental mais próximo e dê o primeiro passo hoje.

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Paulo Nunes

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