Vício em jogos: uma análise científica e social

O vício em jogos de azar (gambling disorder) é um problema de saúde pública que cresce no mundo todo, especialmente com a popularização das apostas online. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece o jogo patológico como um transtorno mental na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

Trata-se de um comportamento compulsivo em que a pessoa não consegue parar de apostar, mesmo quando enfrenta prejuízos financeiros, emocionais e sociais. Neste artigo, você vai entender, de forma clara e fundamentada, o que é o vício em jogo, suas causas, consequências e formas de tratamento.

1. O que é o vício em jogo

O vício em jogo é caracterizado pela incapacidade de controlar a frequência e a intensidade das apostas, mesmo diante de prejuízos. Não se trata de “falta de força de vontade”, mas de um transtorno do controle de impulsos, classificado como doença mental pela OMS e pela Associação Americana de Psiquiatria (APA).

2. Como o cérebro reage ao jogo

Estudos de neurociência mostram que o ato de apostar ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina, o neurotransmissor ligado ao prazer. Isso é semelhante ao que acontece com drogas e álcool.

2.1 Dopamina e tolerância

Com o tempo, o cérebro passa a precisar de apostas mais frequentes ou mais arriscadas para atingir o mesmo nível de satisfação — um fenômeno chamado tolerância.

2.2 A ilusão da quase vitória

Pesquisas publicadas na Nature Neuroscience demonstraram que o cérebro interpreta uma derrota próxima quase como uma vitória, reforçando ainda mais a vontade de continuar apostando.

3. Fatores de risco

  • Início precoce nas apostas.
  • Histórico familiar de vícios (álcool, drogas, jogo).
  • Transtornos de ansiedade, depressão ou TDAH.
  • Estresse financeiro ou busca de “dinheiro fácil”.
  • Exposição intensa à publicidade de apostas.

4. Sintomas principais

  • Pensar constantemente em apostas.
  • Aumentar valores para recuperar perdas (chasing).
  • Mentir para familiares sobre tempo e dinheiro gastos.
  • Usar dinheiro essencial (aluguel, alimentação) para apostar.
  • Irritação ou ansiedade quando tenta parar.

5. Impactos financeiros

Pessoas com transtorno de jogo acumulam dívidas até 4 vezes maiores que não apostadores, segundo o National Council on Problem Gambling. Muitos recorrem a empréstimos, cartões de crédito e até venda de bens pessoais para continuar jogando.

6. Consequências psicológicas

A saúde mental é duramente afetada: ansiedade, depressão, insônia e até risco aumentado de suicídio. Pesquisas no Reino Unido mostram que jogadores patológicos têm até 15 vezes mais chance de tentar suicídio que a média da população.

7. Impactos sociais e familiares

O vício em jogo destrói lares. É comum haver brigas conjugais, separações, perda de confiança, negligência com filhos e problemas no trabalho. Segundo a Royal Society for Public Health, cada pessoa viciada em jogo afeta, em média, seis outras ao seu redor.

8. O papel da indústria de apostas

As empresas de apostas usam estratégias psicológicas para manter jogadores ativos: bônus de boas-vindas com regras complicadas, notificações constantes e a exploração da “quase vitória”. Tudo isso aumenta o tempo de jogo e o risco de compulsão.

9. Prevenção e sinais de alerta

Alguns sinais de alerta incluem: apostar mais do que pode perder, esconder apostas da família, sentir ansiedade sem jogar e acreditar que vai “se recuperar em breve”. Se esses sinais aparecerem, é essencial interromper o comportamento e buscar ajuda.

10. Tratamento e recuperação

O vício em jogo é tratável. Entre as opções estão:

  • Psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC): ajuda a identificar gatilhos e mudar padrões de pensamento.
  • Grupos de apoio, como Jogadores Anônimos.
  • Medicação em casos de comorbidades (depressão, ansiedade).
  • Bloqueio de acesso a sites e apps de apostas para reduzir gatilhos.

Conclusão

O vício em jogo é uma doença real, com base científica, e não deve ser visto como simples falta de autocontrole. Ele afeta o cérebro, destrói finanças, prejudica a saúde mental e compromete relações sociais.

A boa notícia é que existem recursos eficazes para prevenir e tratar o problema. Reconhecer os sinais cedo e buscar apoio profissional é o primeiro passo para retomar o controle da vida.

Se você ou alguém próximo enfrenta dificuldades, procure ajuda especializada. No Brasil, o CVV (188) está disponível 24h por dia.

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Paulo Nunes

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